Não tenho mais o que perder.
De mim, foi tirada a vida. Que eu quis, planejei e gerei em conjunto. Mas fui traído, confiando no escuro do futuro. Trabalhei, me esforcei e por muito eu me orgulho. Orgulhava, é fato, agora me envergonho. Me arrependo. Me rasgo, me grito, me corto, me calo. De mim, foi tirada minha filha, ainda recém-nascida, com 26 dias de vida. Minha menininha e seus barulhinhos. Sua espreguiçada-pele-clarinha-careca, banquéla, preguiçosa e seus olhinhos. Arregalados, fechados, negros, começando a se atentar... a acompanhar os meus movimentos lentos/ansiosos - de um papai que nunca quis errar. Seu bocejo, soluço e cheirinho. Você mora em meu pensamento, meu anjinho. Eu sonho com você todas as noites. Erré, papai, erré, papai, meu nenémzim docinho. Sua falta é constante açoite.
Desde o ventre, ameaçaram meu direito de ser pai. Mas a sociedade patriarcal, monogâmica, machista e opressora a qual vivemos não me permite ser vítima. E tudo correu como o planejado dos outros, sendo eu minoria nas decisões. Ganhando, ironicamente, a carga de violento, de quem grita, de quem tem ira. Sendo o espaço que, supostamente era meu, ocupado por outrem. "Ah, se fosse o contrário". Se fosse uma rede de apoio minha que tirasse teus direitos e deveres. Que te desconfortasse em sua própria casa. Que provocasse sua raiva, colocando palavras em sua boca, se fazendo de coitada. Ah, se fossem sinceras as minhas palavras. Como foram as suas, seletivamente, ao final. Que descreveram a mim como vejo a ti, exatamente! Manipuladora e fodida é você, afinal.
Eu abri as portas da minha vida. Te chamei pra morar comigo, mudei toda minha rotina, meu trabalho e meus amigos. Mas fui completamente enganado. Você logo revelou quem era em seus gritos & surtos & raivas & ciúmes & suposições & invalidações & sempre, sempre, sempre: inversões. Mas eu nem te conhecia, você mesma me alertou, por agora. Se fosse honesta, teria feito n'outrora. Ah, mas você, fodona, militante, de humanas, cientista política, massoterapeuta, economista, assistente social, da psicologia, da psiquiatria, me conhece bem...Você me entende, mas eu não te entendo. Você entende minha profissão, mas eu não entendo a sua. Você sabe minhas teorias, mas eu não apreendo as suas. E ainda sou eu quem te acho burra? Afirma saber todos meus personagens. Não sabe, não... Nunca me viu atuando na rua, livre, viajante, bicho do mato, ligado ao cosmo, poeira de estrela, animalia, plantae, lógico, tentando ser mais forte. Nunca notou meu anseio pela vida, desejando a morte. Nunca me viu cru, suando & sangrando para sustentar minimamente um lar. E nunca viu meu eu que quer cuspir na sua cara, que te repudia, que não te suportava mais.
Mas é verdade que sempre detestou quem eu fui e quem eu sou. Nunca me aceitou. Intransigente, inflexível, extremista. Ao máximo me desgastou com sua mente doentia. Recusou meu abstrato (blá blá blá subjetividade), tirou minha individualidade, brigou com minha autonomia, me rebaixou, sempre que pôde, em cada detalhe. Em cada miserável detalhe de minha existência, minhas relações (superficiais) e minha essência. Meu modus operandi, minhas estratégias de bem viver, minhas leituras políticas, a forma como funciona meu cérebro & meu estado da arte.
Eu tentei levar. Tentei te levar. Empurrar. Superar. Consertar. Dialogar. Me abrir. Não parar. Tentei me adaptar e esse foi meu maior erro, prolongando tudo. Esse não sou eu. Só potencializei esse vácuo infinito que foi ter minha princesinha arrancada dos meus braços enquanto me taxam de violento, enquanto afirmam ter medo de mim. Injustiça, desonestidade, amargura. Conseguiram! agora mais que nunca eu quero incendiar o mundo, explodir as estrelas e derrubar a lua. Mas não deixe você! que suas merdas respinguem em neném. E, infelizmente, nem poderei utilizar meu conhecimento de agora para a proteger.
Como nunca senti antes, sinto nojo e raiva de você.
De te ouvir falar que vivia em um cárcere, quando te levei para vários municípios, arquitetei descontrações, executei ideações, deixava as chaves com você, desde o início. Fizemos tudo que o dinheiro dava para fazer. Te apresentei pessoas que não te agradaram. Você recusou as pessoas, não fui eu. Você não saiu com minhas colegas quando preparam um dia de programação com você. Você se recusou a sair várias vezes, por vários motivos, legítimos... enjoos, crises, etc. Mas não me culpe por isso. Diz odiar mentiras, mas mente (e muito). Omite, escolhe, delibera. Eu também sou assim, mas assumo. Sou um ator. Dissimulo. Danço conforme toca a banda e falo que todas as músicas me deixam aqui, no presente. Sou uma barata de esgoto, sobrevivente. Você é pior, porque é tudo isso mas com um falso ímpeto de sincera, legítima e justa, tal qual Jesus Cristo: onisciente, onipresente e onipotente. Só é extremamente suja. Apenas não se enxerga. Aliás, refletindo o fingimento, não se importa pois "sempre está certa". Parabéns! prevaleceu sua razão, justificativas e conversa.
Foi você que se negou a fazer o concurso, motivo racional de meu convite para morar comigo. Sempre confiei em sua inteligência. Admirei, a princípio, pois com o tempo decorei seu roteiro. seu script e suas referências. Sua bibliografia limitada e cristalizada no espaço-tempo. Decorei suas falas e suas caras. Mas fraco, cético e incubado, me recusei a acreditar que vivia uma farsa. Afirmou recentemente que não havia comido no dia (do concurso), pois eu nunca fazia nada. Portanto, eu me arrependo amargamente de tudo que fiz. Deveria nunca ter feito, não ter perdido meu precioso tempo cozinhando, fazendo cafés da manhã. Ter comprado qualquer porcaria na padaria (como ainda assim fiz todos os dias!), ter buscado uma marmita no RU (como sempre fazia), não ter gasto meu dinheiro com delivery e nem com suas guloseimas (como fiz sempre que não cozinhei... você nunca passou fome comigo, como afirma). Não teria sido humilhado, comparado, rebaixado. Não teria tentado te agradar de alguma forma. Em suma é impossível. Sempre foi. Eu deveria ter aceitado isso.
Mas continuei tentando. Continuei me esforçando, mesmo sendo desgastado, tendo o emocional minado pelo seu julgamento constante, pelas ordens, pelo "você deveria", pelo "fiquei chateada" (por tudo que te contraria), pelas raivas de sonhos, pelas mágoas guardadas que estouravam quando era minimamente cobrada ou confrontada. Pelo olhar que mudava, as veias do pescoço que saltavam, a voz rouca de tanto gritar e a espuma na boca. Foi você que me induziu a deixar de falar, até restar o nada.
Em síntese é fraca, falta inteligência estrutural em seu ódio. "É da guerra, da luta", mas no fundo é só tristeza, carência e utopia. Nem sua camaradagem revolucionária em ti confia. Quem prefere passar fome do que vender a alma em trabalhos? Recusa-se a jogar o jogo político dentro do próprio partido? Muita sorte pras lacunas no constructo de seu projeto ético-político.
Diz ter adiado seu mestrado quando na verdade ainda nem havia se formado. Tentava há quanto tempo? Nem sei... Só sei que sua estadia aqui a ajudou com isso também. E você sequer reconhece. Nunca tocou no ponto onde brigava comigo pelas manhãs que eu te acordava, a seu pedido, para ir para a universidade comigo. Como brigou comigo dormindo. Por cobertor, por espaço, pelo ronco, pela falta de abraço, pelo peso excessivo do abraço, por questionamentos na hora mais sagrada de uma pessoa que estuda e trabalha. Antes de dormir & ao raiar dos dias. Nos finais de semana de arrastadas marcas. Mas voltando ao seu Trabalho, rasgue a porra dos seus agradecimentos onde cita meu nome. Rasgue tudo que te dei. Daqui fiz isso. Rasguei, queimei, amaldiçoei. Mas parabéns: nada, nada, surte efeito perto do que me fez. Sinta esse orgulho. Sinta esse sabor. Essa vitória. Você venceu!!!!!!!! Me dilacerou com sua covardia que foi vir pra cá, engravidar, ter minha filha e partir, tirando meu bebê de mim. Ainda me ameaçando de várias formas, invertendo situações com seu cúmplice nojento e vitimista. Vocês. Quero cuspir na cara de vocês. Com ele eu deveria ter agido da forma como me retratou, deveria ter voltado e merecido as calúnias que não mereci. Bosta são vocês. Eu que entrei no jogo de vocês. Burro fui eu. Palhaço. Com todo respeito aos burros e aos palhaços.
Eu vou dar a volta por cima nessa desgraça de vida, por mim e por minha família! Dificilmente com A. A., pois creio que custosamente terei uma boa relação com minha filha, em função de tanta raiva das pessoas que irão a criar. Mas serei bom pra mim e pra quem me ama, e talvez isso reverbere naturalmente nela e a faça do pai gostar. Como minha menina mais velha (M. S.) que é louca por mim, faz 4 aninhos esse ano. Participei de tudo na vida dela e assim continuarei. Serei sempre seu herói, meu amor... o papai-padim luta por ti também. Vou trabalhar, treinar, estudar, pesquisar, ganhar dinheiro, ganhar dinheiro pra caralho, vender minha alma ao diabo, melhorar a vida da minha mãe, retribuindo um pouco do que ela sempre fez por mim. Renegociar minha dívida com o diabo e ainda ser salvo. Os fins justificam os meios, talvez um dia A. A. me ame, chame somente eu de "pai" e queira torcer apenas para o Cruzeiro. Mas não quero me apegar a suposições positivas, pois a decepção será maior ainda caso a realidade se configure por meio de suas simulações e crenças tóxicas, violentas e traiçoeiras. Todas as peçonhas, feitiços e seres-vivos não merecem tua alusão. O tempo não para e a biosfera é bem-vinda.
Ah, que nojo. Você venceu, o futuro dirá. Mas tive um livramento, rio-serro sinceramente quando penso nisso ou alguém me compartilha. Muita gente te sacou. Me libertei de seu inferno. Você não pode mais me tocar. Mas de toda forma, com as palavras que comecei, termino: "não tenho mais o que perder. De mim, foi tirada a vida". Minha flor, meu bebê (A. A.). Papai vai sobreviver.